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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A Importância da Alimentação no Desenvolvimento e Bem Estar dos canários

A alpista é a semente mais importante na mistura. A sua composição de Proteínas, Hidratos de Carbono e Lipídeos é a que mais se aproxima das necessidades normais dos canários. A qualidade de sua Proteína, medida pela mistura de aminoácidos e digestibilidade, é alta. O alpista é essencial aos canários, e deve entrar na mistura de sementes com, pelo menos, 60% do total.

A semilha, uma semente muito apreciada pelo nossos pássaros, tem elevado teor de Proteínas e Gorduras. É usada normalmente como provedor de Proteínas na mistura. Como tem altíssimo teor de Lipídeos, sua participação deve ser limitada à 20 % do total.

A colza é outra semente que, como a níger, apresenta bom teor de Proteínas e teor de gorduras bastante elevado ( 45% ). Maurice Pomarède, estudioso francês de canários, alerta para a alta toxidês desta semente, recomendando restrições ao seu uso. Outro cuidado é com relação à aquisição desta semente no mercado. Frequentemente, vende-se semente de mostarda como se fosse colza, com prejuízos evidentes para a mistura.

A aveia é um excelente provedor de energia, muito rico em amido, e especialmente rico em lisina e cistina, dois dos principais aminoácidos essenciais. Deve ser utilizada na mistura como o principal provedor de Hidratos de Carbono. O risco desta semente é a alta manifestação de fungos e outras formas de vida indesejáveis, que podem causar sérios danos à saúde dos pássaros.

A linhaça não tem muito paladar para os canários. Tem alto teor de Proteínas e Lipídeos. Administrada durante o período de muda, tem efeito benéfico sobre a formação das penas.

Alimentação dos filhotes

Os embriões em desenvolvimento nascerão por volta do 13º dia. A fêmea aquece muito bem os seus ovinhos e vai muito delicadamente ajudando os filhos a nascer. Por vezes a película interior do ovo fica pegada ao passarinho, só a mãe com o seu calor o pode ajudar. A mãe vai tentando retirar as cascas de ovo do ninho à medida que vão eclodindo.

Podemos perceber que nasceram os filhotes vendo as cascas de ovo no solo da gaiola ou nos comedouros. É agora muito importante dar uma alimentação adequada.
Um dia antes do nascimento dos filhotes inicio o esquema de alimentação, para prevenir um eventual nascimento precoce e para fortalecer e habituar os pais.

Forneço diariamente papa de criação, e dou também diariamente sementes germinadas. Como este esquema não é único, pode ser enriquecido dando as sementes germinadas mais que uma vez ao dia (não mais do que duas vezes), tendo sempre a atenção de lavar os recipientes já que estas sementes se deterioram de um dia para o outro criando elementos patológicos para as aves. De vez em quando também dou cuscus,

Em meu entender, estes elementos não devem ser usados com frequência no período das criações devido a serem pobres em proteínas e como os canários preferem os cuscus às papas, deixam de ingerir a quantidade de proteínas e vitaminas contidas nas papas.

A partir do 3º dia de vida deve também ser posta à disposição fruta e/ou verdura na quantidade adequada. Os canários comem muito bem a maça, entre outras frutas. Quanto a verduras são todas muito bem aceites pelos canários. Devem ser lavadas para eliminar eventuais pesticidas e não devem vir directamente do frigorífico porque podem constipar os pássaros.

Criação

Depois da ave por o 1º ovo, o criador deve retirá-lo, com cuidado para não o quebrar e deixar um ovo falso. Este processo deve-se repetir, todos os dias para os ovos seguintes. No dia em que a ave colocar o último ovo, devem então trocar-se os ovos falsos pelos verdadeiros.

Assim, todos começarão a ser chocados ao mesmo tempo e passados 13 dias nascerão todos os filhotes. Este processo evita que os filhotes nasçam com dias de diferença e os mais velhos matem os mais pequenos (novos).

Os ovos falsos compram-se em qualquer loja de produtos para aves. Normalmente são de plástico e de cor azul, verde ou cinzentos. O facto de se deixarem ovos (falsos) no ninho, incentiva a fêmea a continuar com a postura normalmente.

O último ovo pode ser identificado por ter uma coloração um pouco diferente da dos restantes. Se ainda assim, o criador não reconhecer o último ovo, deve continuar o processo de substituição até ao quinto ovo (muito dificilmente haverá um sexto). Se a canária deixar de por ovo num dos dias, então o do dia anterior foi o último e deve trocar-se os ovos

Os ovos verdadeiros que se retiraram devem ser cuidadosamente guardados numa caixa sobre sementes (Alpista) ou outro produto que os mantenha de forma segura e delicada. Será aconselhável que os ovos guardados sejam virados todos os dias para que o embrião não fique agarrado à superfície da casca do fundo do ovo inviabilizando o seu nascimento.

A fêmea começará a ficar mais tempo no ninho para chocar os ovos entre o 3º e o 5º ovo (dia). Dependendo da raça e da personalidade do próprio pássaro, este será mais ou menos afoito na tarefa de chocar os ovos . É comum que o macho também vá para o ninho enquanto a fêmea vai comer, assim como será normal ver o macho a alimentar a fêmea no ninho.

Durante o choco a fêmea conhece bem os seus ovos e o que têm dentro, e vai os posicionando de forma a aquecer melhor os que estão viáveis, e por vezes pode até deitar fora alguns ovos não ‘galados’.

Durante o processo de choco dos ovos deve retirar-se a papa ao casal para evitar que fiquem muito gordos (particularmente o macho), já que neste período de criação terão sempre à disposição comida bastante nutritiva e calórica.

Por volta do sétimo dia de choco, também o criador pode identificar os ovos que têm o embrião em desenvolvimento e os que não estão ‘galados’ ou que o embrião morreu. Para isso, deve pegar cuidadosamente no ovo e coloca-lo em contraluz (ficando numa zona de sombra e colocando o ovo contra o céu – se estiver sol). Se o ovo estiver opaco, então está em bom desenvolvimento, se pelo contrário estiver transparente então não há embrião em desenvolvimento.

Acasalamento

Chamo acasalamento ao curto período (de 1 a 6 semanas) desde que se junta o casal e o momento em que iniciam a criação, com a postura do primeiro ovo. O criador deve iniciar o acasalamento apenas quando o macho e a fêmea estiverem prontos a acasalar.

A altura de iniciar o acasalamento e depois a criação em Portugal é, normalmente, no início da primavera, ou um pouco antes. Sendo o aparelho reprodutor dos canários que dita o início do acasalamento, os meus canários então prontos por volta do início de Março, podendo haver alguma diferença entre casais. Mais a sul do país é natural que este processo comece antes.

Sendo as horas de luz por dia que determinam o ciclo de reprodução dos canários, é possível antecipar o acasalamento, aumentando com luz artificial, e de uma forma adequada, a duração do período de luz de cada dia.

As fêmeas ficam prontas para o acasalamento quando o seu ventre fica mais comprido em forma de ovo. Os machos ficam com o espigão saliente (cerca de 3 a 5 cm).

Há diferentes processos de acasalamento:
• Monogâmico – um macho e uma fêmea. Macho e fêmea ficam juntos até ao fim da criação. Ambos alimentam os filhotes.

• Poligâmica – um macho com duas ou três fêmeas. Cada fêmea fica na sua gaiola e o macho visita-a na altura apropriada para fecundar os ovos. Há dois métodos do macho fazer a visita às fêmeas. No primeiro método, o criador junta o macho com cada uma das fêmeas apenas por algumas horas, vários dias até a fêmea terminar a postura. No segundo método é necessário que a postura das fêmeas ocorra em períodos espaçados entre elas de forma a que o macho fique durante a postura (iniciando alguns dias antes) junto apenas com a fêmea que está a fazer a postura. Rodando depois pelas outras fêmeas. Em ambos os casos terá de ser a fêmea sozinha a criar os filhotes.

• Poligâmica – um macho com várias fêmeas num viveiro de criação. São colocados vários ninhos (pelo menos um por fêmea) e as fêmeas escolhem o ninho (por vezes com alguma disputa) para fazer a sua postura. O macho fecunda todas as fêmeas ainda que elas façam a postura na mesma altura. O macho raramente ajuda a alimentar os filhotes, pelo que têm que ser as fêmeas a fazê-lo. Frequentemente umas fêmeas alimentam os filhotes de outras. Este processo só funciona com raças de canários que criem muito bem. A seguir relato a minha experiência com este método, mal sucedido com algumas raças, e bem sucedido com outras desde que sejam tomados alguns cuidados.

Descrevo o acasalamento monogâmico que é o mais natural e mais habitual e o único recomendado para quem inicia uma criação considero esta uma das fases mais gratificantes na criação de canários.

Quando a gaiola de criação o permite, colocam-se, macho e fêmea separados por uma grelha que os deixa verem-se e trocarem comida no bico um com o outro. Normalmente ficam assim durante uma semana ou até começarem a trocar comida pelo bico. Neste período enamoram-se um pelo outro. Se o macho e a fêmea já estiverem prontos como referi atrás, esta etapa pode ser omitida.

Depois de retirar a grelha, ou se não usou grelha, alguns dias (uma semana) depois de os juntar coloca-se o ninho com algumas palhinhas (poucas para não sujar muito a gaiola). Quando a fêmea e o macho transportarem as palhinhas no bico é um ‘convite’ ao parceiro para iniciar o acasalamento. Quando a fêmea iniciar a feitura do ninho deve dar-se-lhe mais material para fazer o ninho. Dentro de 4 a 7 dias porá o primeiro ovo. Nos dias seguintes porá um ovo por dia, sempre um pouco depois de nascer o dia. A postura será de 3 a 5 ovos, normalmente.

Uma fêmea na sua primeira postura é habitual pôr menos ovos que nas outras. Nesta altura não pode faltar a papa (para que os ovos tenham nutrientes suficientes para o desenvolvimento do embrião dentro do ovo), nem o cálcio (osso de choco ou barra de cálcio) para a fêmea poder criar a casca do ovo que é composta de cálcio.

Preparação para o Acasalamento

Alguns casais podem criar sem terem passado pela “preparação para o acasalamento”. Mas essa não é a regra, pois para a generalidade dos casais esta etapa é um factor de sucesso na criação. Esta etapa tem por objectivo preparar o aparelho reprodutor do macho e da fêmea e fortalecer os canários para a árdua tarefa de criar os seus filhotes.

Todos os criadores já tiveram a experiência de casais que não conseguem criar os seus filhotes, ora porque não chegam a iniciar o acasalamento, ora porque a fêmea não põe ovos, ora porque os ovos não estão fecundados, ora porque os filhotes não nascem, ou, muitas vezes porque os pais não conseguem criar os seus filhotes.

Alguns destes problemas são devidos a uma fraca preparação do aparelho reprodutor da fêmea ou do macho, ou a um estado mais debilitado dos pais que não têm capacidade para criar todos os filhos nascidos e sacrificam alguns ou mesmo todos.

A preparação para o acasalamento consiste em cuidar dos seguintes factores determinantes:
• Limpeza da flora intestinal – usando medicamentos contra os vermes e/ou fermentos e/ou probióticos.
• Preparação do aparelho reprodutor – administrando vitamina E com alimentos ricos nesta vitamina (ex: sementes de aveia descascada) ou complexo vitamínico.
• Fortalecimento dos canários – com boa alimentação, papa de ovo e complexos vitamínicos.
• Criação de “desejo” por acasalar – mantendo machos e fêmeas separados.

O Local de Criação - CANARIL

A localização dos viveiros de criação é um aspecto muito relevante no sucesso das criações. Os viveiros devem localizar-se no interior de um compartimento que passo a chamar de canaril. O canaril pode ser um compartimento da casa, um anexo, a garagem ou uma casinha em madeira. É importante garantir que nem gatos nem ratos tenham acesso ao canaril.

O canaril deve receber algum sol durante o dia, mas não demasiado. É fundamental que cada canário no compartimento interior do canaril, se estiver ao sol, tenha um local que esteja à sombra onde ele se possa resguardar de horas de sol intenso.

O canaril deve ter janelas para que haja circulação de ar, e estas devem ter cortinas para impedir a entrada do sol demasiado quente no verão. O canaril deve proteger os viveiros das chuvas, das correntes de ar, de temperaturas muito baixas e de temperaturas muito altas. No meu canaril as temperaturas podem variar dos 8 ºC nas noites frias de Inverno (mas conheço situações em que as temperaturas mínimas são bem mais baixas sem haver problema), aos 40ºC nas horas do pico de calor no verão.

Nestas situações de temperaturas muito altas o canaril deve ser refrescado com um pulverizador com água, e ‘jogar’ com a abertura das janelas. Para obter bons resultados na criação é importante que os viveiros não estejam sujeitos à luz artificial das nossas casas, pois acender e apagar a luz durante a noite ou manter a luz acesa durante várias horas da noite é prejudicial para as criações.

Alguns casais permitem que se veja e mexa no ninho com frequência mas outros são muito zelosos da sua privacidade e para que criem bem é importante não mexer muito no ninho. Por isso, o canaril deve ser um local sossegado e não sujeito ao acender e apagar de luzes nas nossas habitações.

O meu canaril está sujeito apenas à luz natural. Também a humidade é um factor importante, nomeadamente na altura da eclosão dos ovos. Por períodos curtos não se justifica alterar a humidade existente no canaril, mas se a localização do canaril impuser valores de humidade muito elevados >90% por períodos longos (semanas), é importante fazer baixar a humidade (abrindo as janelas, ou com um desumidificador).

Se os valores da humidade forem muito baixos (nos dias quentes de verão) pode-se fazer subir a humidade momentaneamente pulverizando o canaril com água (pode-se usar um borrifador de plantas ou aproveitar um frasco vazio de detergente com borrifador, depois de bem lavado).

Os viveiros individuais de criação devem ter entre 35 e 50 cm de comprimento, de 35 a 40 cm de fundo, 30 a 40 cm de altura. No meu caso uso viveiros com 1 m de comprimento, 40 cm de profundidade e 30 cm de altura, que divido colocando um macho ao meio e uma fêmea a cada ponta do viveiro. Tudo isto para que o macho e as fêmeas possam ver-se mutuamente e possam criar laços “afectivos” entre eles despertando-lhes assim o desejo e instinto sexual e reprodutivo.
Quando isso acontece retiro a divisória e estão constituídos os casais de reprodutores para a sua tarefa reprodutiva.

Depois das criações retiro a divisória do meio e o viveiro de 1 metro é adequado para que os canários façam a muda da pena e permaneçam o resto do ano. Actualmente uso viveiros de 1 metro em rede, denominados viveiros galegos. É muito importante que a limpeza das gaiolas seja fácil, e com estes viveiros as gaiolas não se sujam, e são de fácil limpeza.

É vantajoso ter gaiolas ou viveiros todos iguais já que permite uma uniformidade dos acessórios necessários que podem ser usados em todos os viveiros.
É importante ter grelhas do fundo suplentes para trocar com alguma frequência (dependendo do número de aves por viveiro – mais aves sujam mais). Se os viveiros forem todos iguais as mesmas grelhas servem em qualquer um.

A limpeza dos viveiros é facilitada colocando folhas de papel (jornais velhos ou papel próprio) nos fundos dos viveiros. Assim, bastará substituir o papel semanalmente. Contudo é importante uma limpeza mais profunda de vez em quando. O canaril deve também ser mantido limpo. Uma boa sanidade do canaril e dos viveiros impede o aparecimento de parasitas e é muito mais agradável para quem o visita e para o próprio criador. É importante ter água e um lavatório no canaril para facilitar a limpeza e o próprio tratamento dos canários.

Preparação para a Reprodução

Em Janeiro Fevereiro na generalidade dos casos são os meses indicados para a formação dos casais. Devemos estudar previamente as aves em melhores condições, não só ao nível fénotipo (aspecto exterior da ave) e génotipo (património genético da ave), mas essencialmente às condições de saúde, dando sempre um tempo de adaptação ao casal para que tenham um relacionamento harmonioso que é fundamental para a fecundação dos ovos e consequentemente obtenção de bons resultados.


Aspectos a ter em conta na preparação dos reprodutores são o ambiente e alimentação.

Considerando a boa saúde dos reprodutores, temperatura adequada, e sobretudo a luz, são componentes fundamentais para a obtenção de bons resultados. Podemos favorecer esta preparação com um programa organizado de luz artificial, simulando as horas de luz ideais na época de preparação e reprodução, ou então aguardando pela época ideal, como é a primavera.

A escolha destes dois métodos, com as vantagens e desvantagens de cada um, depende sempre das condições que temos para podermos optar pela escolha mais ideal.

Com a luz natural tudo se desenvolve a um ritmo, mais tranquilo e sem dúvida mais saudável, reflectindo-se na obtenção de melhores resultados, meses ideais Março, Abril e Maio, a não ser que tenhamos meses frios e húmidos que tenhamos que recorrer a recursos artificiais.

A luz artificial, por contrário, impõe a utilização de um relógio temporizador, programado diariamente e potencialmente perigoso para mudas fora de tempo por excesso de luz. Uma programação de luz requer sempre uma programação de temperatura harmoniosa e coordenada, de forma a ter nos finais de Janeiro 12 horas em média de luz e temperatura de 7/8 º C, isto implica logicamente termómetros, higrómetros e fontes de calor, com custos acrescidos pelo consumo de energia. Para não falar de desumidificadores e sistemas de isolamento essenciais para criação fora de tempo ou em condições naturais adversas.

Se optarmos por utilizar luz artificial devemos sempre de uma forma gradual tirar ou aumentar o número de horas de luz, essencialmente neste último caso em que se não for assim podemos correr o risco de termos mudas de penas fora de tempo, (falsas mudas) por alterações no metabolismo da ave por excesso de luz, com consequentes comprometimentos nos bons resultados na totalidade da época de reprodução.


No que respeita à questão da alimentação, da mesma forma que em condições naturais, as plantas amadurecem e criam os seus grãos para alimentação, permitindo aos granívoros na aproximação da primavera ter uma boa alimentação, em cativeiro devemos também ter em consideração a alimentação adequada consoante a época (Manutenção, Preparação, Reprodução).

Na fase de repouso a alimentação deve ser à base de sementes secas, essencialmente de alpista, enriquecendo gradualmente esta alimentação na preparação e criação, para que seja estimulado a maduração sexual e sobretudo haja uma alimentação disponível e suficiente para alimentar todas as necessidades próprias no desenvolvimento das criações.

O enriquecimento de uma adequada alimentação deve ser gradual à base de alimentos brancos, nutritivos e apetecíveis, tais como sementes germinadas, hidratadas, tendo em atenção os métodos de preparação adequados, evitando a transmissão de fungos, propicio a este tipo de alimentação.

Para a germinação é conveniente uma boa mistura de sementes, previamente submetidas a um teste de germinação, para sabermos se todas as sementes germinam nas devidas condições de administração sem corrermos riscos de estar a administrar sementes estragadas que são altamente prejudiciais na alimentação.

Uma a duas vezes por semana devem administrar verduras ou frutas variadas, garantindo uma variabilidade no regime de alimentação e uma dieta saudável no que respeita às vitaminas. Apesar de uma alimentação variada é também aconselhado nos locais de pouca luminosidade e fechados a administração de vitamina E, vitamina importante para a fecundação e um polivitaminico, proporcionando um equilíbrio fundamental para a obtenção de bons resultados.
Produtos utilizados na preparação dos reprodutores:
>> Proboost SuperMax (diariamente)
>> Vitamina E (3x na semana na água)
>> Potent Brew (1x /semana na água)
>> Calcivet (1x/semana na papa)
>> Germinado ( 3x na semana, alternada)
Claro está que este esquema é aquele que é utilizado por mim, com base no conhecimento das minhas aves, do tempo que disponho para cuidar delas, e sofrendo aqui e ali alguns ajustes consoante as necessidade ou carências que se denota nas mesmas ao longo dos vários ciclos maturativos.
Boas criações 2011 para todos os ornitófilos.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Que Femeas Guardar


- As fêmeas férteis podem ser utilizadas, facilmente, até aos quatro anos, desde que produzam a qualidade que você necessita. O êxito do plantel baseia-se na capacidade de criar boas fêmeas. Como o standard do Gloster se baseia em pássaros pequenos, não há razão para não ter fêmeas dentro do standard. Se você utiliza fêmeas com grandes coronas, pode-se recortar a corona antes do período de cria e ele crescerá na próxima muda. Fazendo isso você aumentará as hipóteses da sua fêmea cuidar melhor de sua prole. Assegure-se de cortar a corona um mês antes de criar para dar à fêmea uma possibilidade de acostumar-se a ver o mundo que a rodeia.

- As qualidades de criação são hereditárias. Considere sempre primeiro as filhas das suas melhores fêmeas criadoras, desde que exibam o tipo que necessita. Uma fêmea de qualidade média mas de bons hábitos de criação será sempre preferível a uma fêmea de qualidade superior com pobres registos de criação. Recorde que se você tem uma linhagem de criação, suas fêmeas podem produzir campeões desde que você não ponha todos os ovos na mesma cesta, centrando-se na sua melhor fêmea. Assegure-se de ficar com as fêmeas que criam bem, mas que estão relacionadas com o seu melhor pássaro. As probabilidades de criar um campeão virão de uma delas.


- A utilização de fêmeas grandes na criação condena toda a futura descendência a aumentar de tamanho. Seus filhos serão inclusive maiores e você estará no caminho do fracasso. As fêmeas pequenas são as que melhores resultados lhe darão.

- As fêmeas serão o suporte da forma/tipo do seu plantel. A maioria dos machos são maiores e mais finos que as fêmeas. Se você seleccionar as fêmeas magras e largas, seus filhos não exibirão o standard desejado e destruirão, provavelmente, a qualidade do seu plantel. Às fêmeas com bom tipo podemos atribuir machos que se parecem com elas e assim melhorar definitivamente o seu plantel.

Que Machos Guardar


- Os machos férteis podem ser utilizados, geralmente, até aos cinco anos, desde que dêem provas de qualidade na descendência. Os machos que são bons progenitores, com qualidades ao nível de alimentação das crias são inestimáveis. Pense sempre duas vezes antes de se desfazer de um macho fértil e são com estas características.
- Aos machos que não galam os ovos podemos dar-lhe outra oportunidade no ano seguinte, preferencialmente com uma fêmea que já deu filhotes. Se cruzarmos um macho presumivelmente estéril com uma fêmea que nunca criou, não teremos dados suficientes para esclarecer a situação. Convêm utilizar a nossa melhor fêmea de criação para testar o macho em causa. Se, pelo segundo ano, entretanto ele ainda não reproduz, utilize-o para outro fim que não a reprodução.
Mesmo que se possa tentar um terceiro ano, você estará insistindo numa situação que levará ao desgaste desnecessário de boas fêmeas de criação.

- A ideia de cruzar o melhor macho do plantel com tantas fêmeas quanto possíveis tem um impacto negativo. A maioria da descendência estará muito ligada entre si num abrir e fechar de olhos teremos que procurar novos genes, com a introdução de novos pássaros no plantel. Assegure-se que mantém os irmãos e os primos do seu melhor macho.
Você pode usá-los para diversificação de sua base genética sem mudar a linhagem muito drasticamente. E muitas vezes irá surpreender-se ao descobrir que é a descendência desse macho que está a garantir seus melhores filhotes. A maior parte do tempo os irmãos ou as irmãs de campeões são a melhor aposta, não importando se visualmente não parecem.


- Os machos nos quais se notam sinais de agressividade logo em filhotes são descartáveis. Se for possível livre-se deles. O carácter, como tudo o resto, é hereditário. Tente utilizar os machos pacíficos e calmos para a base do seu plantel.


- Os machos Gloster que parecem fêmeas são o seu melhor activo. Serão, geralmente, de tipo excepcional e menores que a maioria dos machos. Pode-se basear uma criação inteira em tais machos, uma vez que as suas filhas serão extremamente difíceis de vencer em concurso. É habitual ter-se machos grandes que mostram muito tipo, mas isto limitará muito que a descendência tenha características de aves de concurso. Se não formos muito cuidadosos, cedo ou tarde as suas fêmeas estarão maiores e aí será muito tarde para corrigir a situação. Seja crítico com o tamanho dos seus machos, isto permitirá um maior controlo do seu plantel e garantirá descendência sem penalizações.

- Assegure-se que os machos mostrem a cor mais intensa. Em geral, as fêmeas mostram cor mais apagada. Se teus varões não são bem coloridos, as filhas deles serão muito desbotadas. De certo não deseja acabar com um plantel inteiro de pássaros desbotados. É muito difícil conseguir boa cor sobre toda a pena e as vezes terá que fazer escolhas entre o tipo e a cor..

Criação do Canário Gloster



A escolha do casal
À medida que se aproxima uma nova época de criação de canários, a selecção dos casais é da mais extrema importância. Estas selecções determinarão se nós continuamos a progredir, ou se caímos no retrocesso à medida que decorre a criação e a época das exposições avista-se.
O objectivo deve ser assegurar-se de que cada casal esteja bem "balanceado" e sempre acasalar Corona com Consort. Ao seleccionar casais, eu mantenho sempre na mente o que os criadores entendidos de Gloster dizem como certo: "fêmeas para o tipo e machos para a cor". Assim as fêmeas de Gloster, se são coronas ou consorts, devem ser pequenas, redondas na forma do corpo, têm que ter as caudas curtas, cabeças bem formadas e no geral sejam do tipo bom.
Normalmente a qualidade das fêmeas criadas por nós é mais valiosa do que aquelas que são trazidas de outros criadores, pois na criação própria vai ser possível controlar a proveniência da fêmea, enquanto que uma fêmea desconhecida só vai ser possível avaliar a sua aparência exterior, nunca o que está "por dentro" (hereditariedade), não importa as medalhas, os pedigrees, etc, que lhe são mostrados, não há nenhuma garantia que uma nova fêmea trará muitos benefícios no seu plantel (pelo menos a curto prazo).
Os machos de Gloster necessitam de ser curtos e robustos e devem ter a qualidade excelente da cor e da pena. Alguns pontos da escolha devem ser recordados: um Gloster mais velho será ligeiramente maior do que um da ultima criação e os machos começarão a apertar a sua plumagem e a perder a sua forma á medida que a época de criação se aproxima.
Como sempre, ao tratar dos casais de Glosters não é só as diferenças entre os machos e as fêmeas que precisam de ser consideradas, também temos que ter em linha de conta as duas diferentes formas do Gloster: Coronas e Consorts. A característica distinta do corona é, de facto, a sua coroa, a crista das penas na sua cabeça. A coroa deve ser o mais redonda possível e a suas penas devem ser longas e ter "boa inclinação". Todos nós criamos exemplares com a coroa vincada ou rachada, mas estes devem ser rejeitados aquando da selecção. Se não, a falha pode ser passada sobre às futuras gerações.
O Consort pode ser visto como uma ferramenta usada na produção dos coronas, assim a sua plumagem na cabeça necessita ser suficientemente larga para permitir dar forma aos coronas obtidos. Isto pode ser verificado empurrando as penas principais da cabeça de um Consort para a frente. Use uma moeda de 5 cêntimos fazer isto: posicionando a moeda onde a corona estaria, se as pontas das penas estiverem projetadas na parte dianteira da moeda, você sabe que está com as linhas perfeitas para dar origem a bons coronas. Embora não seja necessário que um Consort tenha uma cabeça muito grande, as sobrancelhas devem ter realce e largura ao longo dos olhos.
Mesmo assim existem consorts com as cabeças pequenas, pouco largas e os olhos salientes sem sobrancelhas, que ganham concursos. Isto não é saudável para a selecção e aproximação ao standart definido pelas regras internacionais, isto porque muitas das vezes os juizes dão prémios a tais espécimes porque aquele é o tipo que têm nas suas próprias criações. Mesmo que um juiz possa criar Consorts que não se assemelham ao standart, é o standart que devem ter na mente ao julgar.

domingo, 21 de novembro de 2010

Reconhecimento e Gratidão a todos os Visitantes Bloguistas deste Recanto “albertoglosters”

Ao fim de 4 ou 5 meses em que resolvi, criar este espaço de divulgação e informação acerca da Ornitologia e especialmente do Canário Gloster, devo de uma forma bem clara agradecer a todos os bloguistas e seguidores que têm visitado diariamente ou de uma forma ocasional este nosso recanto em prol do Gloster, e manifestar-vos a minha gratidão.
Por outro lado, não queria deixar de manifestar o apreço, reconhecimento e respeito na criação, selecção e aperfeiçoamento deste cantinho da Mãe Natureza : (o Gloster ) que nos delicia e brinda diariamente com actos de nobreza, elegância e porte majestoso a todos quanto o admiram e se debruçam em perceber a sua essência.
Ao fim de quase 3 anos sensivelmente, a descobrir esta nobre ave, fui ao encontro de vários criadores e aperfeiçoadores tanto quanto possível, do Canário Gloster, segundo as regras do Standart mas acima de tudo respeitando o próprio fenótipo e genótipo da raça que ninguém melhor que a Mãe Natureza o brindou: com tão elegante porte, brilhante plumagem, movimento nobre, etc.
Assim faço daqui um especial agradecimento a criadores e amigos que fui encontrando, trocando opiniões e adquirindo excelentes exemplares (Glosters) como Engº. Augusto Teixeira, Colega Joaquim Lopes, Amigos Patrick de Barros e Hugo Santos, António Silva, Joaquim Martins Talaia, António Fernandes e muitos, muitos outros, não menos importantes que encontramos por esse Portugal Ornitológico.
Para finalizar, um Bem Haja a todos os criadores e amantes da Ornitologia no seu mais vasto esplendor, boas exposições e excelentes criações para 2011.
Alberto

segunda-feira, 9 de agosto de 2010


Propolis



A Propolis é um antibiótico natural isento de efeitos colaterais, como tal utilizo-a nos meus canários.
Existe na natureza uma resina que reveste os frutos de algumas plantas como o pinheiro, o salgueiro, a cerejeira, etc, que as abelhas recolhem e elaboram com as enzimas das suas secreções, a Propolis.
As propriedades terapêuticas da Propolis foram descobertas em tempos remotos. Já os antigos egípcios a utilizavam para cuidar do aparelho respiratório, de estados gripais, infecções de pele, cicatrização de feridas e outras infecções variadas.


Composição química:
• 50% de resinas e bálsamos: ácidos urânios, ácidos aromáticos, etc;
• 30% de gorduras e vitaminas: ácidos gordos, óleos essenciais, vitaminas do grupo B, vitamina C, vitamina E;
• 10% de polifenóis: flavonóides (Galantina);
• 5% de Pólen;
• 5% de Sais minerais: cálcio, cobre, ferro, bário, crómio, etc.

Parece que são os ácidos orgânicos e os polifenóis, contidos na Propolis, que desenvolvem, principalmente, uma dupla acção antibacteriana (bacteriológica e bactericida) que, tanto impede a multiplicação das bactérias como as mata.
Além da propriedade antibacteriana, tem uma outra propriedade que para nós criadores, é de extrema importância. É um antimicótico de largo espectro. Actua, sobretudo, contra a Cândida e Microporo, graças à presença dos polifenóis que bloqueiam o crescimento dos fungos. As abelhas que, segundo um instinto natural, reconhecem na Propolis esta função e utilizam-na para revestir as paredes dos casulos onde a abelha rainha põe seus ovos, como defesa ao ataque de fungos e bactérias.
Desenvolve uma acção imuno-estimulante que faz aumentar a resistência do organismo graças ao efeito dos flavonóides (galantina) e da vitamina C, os quais estimulam a síntese dos anticorpos e potencializam o sistema imunológico contra os agentes patogénicos.
Segundo as afirmações de fitoterapeutas de renome, a Propolis não tem efeitos colaterais e pode ser utilizada também por longos períodos e em doses mais elevadas.
A Propolis, devido às suas múltiplas acções e, por ser um antibiótico natural de largo espectro, pode ser usada na ornitologia sobretudo na prevenção de formas bacterianas intestinais que no período de incubação prejudicam os filhotes até o nascimento. Pode ser usada, também, nas doenças das vias respiratórias, nas dermatoses das patas que frequentemente provocam inflamação e rubor devidos aos erros alimentares, picadas de insectos e falta de higiene.


Onde encontrar a Propolis:
Para as nossas necessidades podemos utilizar a Propolis que aparece no comércio na forma de solução (gotas) e que é encontrada à venda nas ervanárias.


Modo de usar (posologia):
• 20 gotas em cada litro de água de beber no período de preparação às incubações por 15 dias consecutivos. A mesma dose durante 7 dias consecutivos após o nascimento dos filhotes;
• 30 gotas por litro de água de beber durante um período de 20 dias, no momento em que uma infecção for manifestada. É prudente neste caso intervir aos primeiros sintomas. Suspender durante 10 dias e repetir a administração por mais 10 dias;
• para as restantes doenças cutâneas, algumas gotas duas vezes ao dia sobre as áreas afectadas.


Conclusões:
A própolis também pode ser utilizada junto com outros antibióticos sintéticos. Para quem não pretende renunciar aos antibióticos tradicionais, assim terminada a utilização deste, é conveniente prosseguir 10 dias com Propolis. Esta precaução tem o objectivo de minimizar a queda das defesas imunológicas provocadas pelo antibiótico sintético, redução esta que origina a reincidência da doença.